História e FactosA História da Penha de FrançaA Penha de França, uma das sete colinas de Lisboa, é conhecida há mais de meio século. Integrada no conjunto dos Bairros Orientais da cidade de Lisboa, esta Freguesia assenta em terrenos dispostos sobre camadas do terciário. Situada a 110 metros de altitude é um dos grandes miradouros da cidade. No alto da sua crista ergue-se a igreja do mesmo nome. Daí domina-se grande parte da cidade, obtendo-se magníficos e diversificados panoramas. A maior amplidão encontra-se a nordeste, vendo-se o Alto de São João, e grande parte das margens do Rio, a montante de Lisboa, por Chelas, Marvila, Olivais,m do lado de cá, e na outra margem, Aldeia Galega, Pinhais do Montijo e Alcochete. Nos anos 40, Paulo Santos escreveu sobre o local: A actual área da Freguesia foi durante séculos uma zona de quintas e hortas onde numerosos Lisboetas se deslocavam para passear. No seu espaço foram erguidos imponentes e majestosos Solares, onde viveram famílias senhoriais. Era uma zona onde nomes ligados ao Infante D. Henrique, como o famoso Diogo Cão, tinham, no século XIV, fixado residência. Pelos meados só século XVIII, a Penha de França e o Poço dos Mouros faziam já parte da cidade de Lisboa, constituindo a sua fronteira oriental. Por esta altura, e ainda durante muito anos depois, a Penha de França apresenta um curioso ordenamento social, nunca aparecendo definida como lugar de gentes pobres e trabalhadoras, como as da Graça. Como Freguesia, a Penha de França nasce a 13 de Abril de 1918 e constitui-se, como paróquia eclesiástica, em 21 de Agosto de 1937, tendo sido a única Freguesia cível a ser criada em Lisboa entre 1833 e 1859. Neste último ano, a sua área inicial foi reduzida, contribuindo para formar as Freguesias de São João e Alto do Pina. Durante muito tempo, estes lugares foram pouco povoados. Mas, com o início da construção da Igreja em 1597 e do convento em 1603, assiste-se a um certo desenvolvimento, de alguma forma ligado ao aparecimento de várias quintas, com casas nobres ao longo do Século XVII. A destruição provocada pelo Terramoto de 1755 veio a inflectir esta tendência, para a Penha de França, como para toda a cidade de Lisboa os efeitos foram terrivelmente nefastos. No dia 1 de Novembro de 1755, uma pura manhã de Outono, o sol tinha surgido a brilhar, dando temperaturas agradáveis às populações. As pessoas começaram desde cedo a fazer os seus preparativos religiosos, já que era dia para isso mesmo. Celebrava-se o dia de Todos-os-Santos, e a Igreja de Nossa Senhor da Penha de França, bem como a maioria das residências, tinham velas acesas, parte essencial do culto. Por volta das 9.30, os animais entram em pânico e os habitantes sentem a terra a tremer, como se milhares de carruagens invisíveis estivessem a passar a toda a velocidade pelas ruas estreitas da zona da Penha de França. Depressa se deram conta do que estava a suceder. A terra começou a tremer mais ainda. Em menos de 2 minutos, que devem ter parecido uma eternidade, os edifícios feitos de madeira e pedra desmoronaram-se. Mas o terror continuou por mais 5 minutos, abrindo fendas nas ruas de Lisboa. Das fendas soltaram-se vapores sulfúreos que acabavam a obra de destruição, como se a Natureza quisesse expulsar os homens daquele lugar. Não se conhece a verdadeira extensão da tragédia ocorrida na Penha de França. Entre as tradições da Penha de França destacamos a “Procissão do Forrolho”, efectuada de noite, na qual, durante o seu percurso, se batia ao ferrolho das portas para acordar os devotos, e a Taverna do Ferrugento”, onde iam foliões e homens do mar para ouvirem o Fado. A Penha de França, nascida em plena época dos Descobrimentos, assistiu, do Alto do Alperche, junto à sua Igreja, à partida e chegada das Naus que deram novos mundos ao mundo. |







